O que diz a decisão do TJ-SP
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) tomou a decisão unânime de considerar o decreto publicado pela Prefeitura de Bragança Paulista como inconstitucional. Essa decisão foi proferida em resposta a um pedido da Procuradoria Geral de Justiça do Estado, que questionou os fundamentos legais do aumento do IPTU proposto.
Impacto na cobrança do IPTU
Com a declaração de inconstitucionalidade, a cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) voltará a seguir as regras estipuladas pela legislação de 1998, permanecendo assim até que uma nova norma seja eventualmente aprovada. Isso significa que os contribuintes não estarão sujeitos aos novos valores estabelecidos pelo decreto impugnado, conservando os valores que já eram aplicados anteriormente.
O que era o decreto de 2024?
O decreto, que entrou em vigor no final de 2024, pretendia atualizar a Planta Genérica de Valores (PGV), uma ferramenta utilizada para determinar o valor do metro quadrado dos imóveis no município e, consequentemente, a base de cálculo do IPTU. Com a decisão do TJ-SP, esta atualização foi considerada sem fundamentos legais adequados.

Razões da inconstitucionalidade
O relator do caso, desembargador Ademir Benedito, esclareceu que o aumento real de tributos, como o IPTU, requer a aprovação do Legislativo. Segundo ele, a Constituição Federal estabelece que apenas por meio de lei aprovada pela Câmara Municipal podem ser criadas ou aumentadas as tarifas tributárias. O tribunal entendeu que o decreto tinha inovado ao estabelecer novos critérios para o cálculo do imposto, desrespeitando o princípio da legalidade tributária.
A Procuradoria Geral de Justiça na ação
A ação que questionou o decreto foi apresentada pela Procuradoria Geral de Justiça, que argumentou que a revogação de normas anteriores deixou o município sem uma base legal válida para a manutenção dos valores do IPTU, levando a Prefeitura a tentar corrigir essa lacuna através de um ato do Executivo, o que foi rechaçado pelo tribunal.
Como se dá a Atualização da Planta Genérica
A atualização da Planta Genérica de Valores deve seguir o procedimento legislativo e não pode ser feita através de decretos executivos. Isso garante que as alterações estejam de acordo com a legislação vigente, evitando abusos e assegurando a transparência na gestão pública. Somente a Câmara Municipal, com a aprovação do projeto de lei correspondente, pode realizar essa atualização.
A importância do Legislativo na criação de tributos
A Constituição Brasileira estabelece um princípio fundamental: a legalidade tributária. Isso significa que a criação ou modificação de tributos deve passar pelo crivo do Poder Legislativo, garantindo a representatividade e a legitimidade das decisões que afetam a carga tributária dos cidadãos. Assim, é fundamental que a população tenha a oportunidade de ser ouvida e de se manifestar através de seus representantes.
Efeitos sobre a Lei Complementar 1.001/2025
Durante o mesmo julgamento em que o decreto foi considerado inconstitucional, o TJ-SP decidiu manter a validade da Lei Complementar nº 1.001/2025. Esta lei tinha como objetivo revogar as mudanças anteriores no IPTU e restabelecer a legislação de 1998, garantindo assim a manutenção dos critérios antigos de cobrança. Os desembargadores afastaram o pedido de inconstitucionalidade referente a esta lei, considerando que, uma vez que o decreto recente foi invalidado, não houve renúncia de receita para o município.
O que a Prefeitura diz sobre a decisão
Ainda não houve retorno oficial da Prefeitura de Bragança Paulista à imprensa sobre a decisão do TJ-SP até o momento da publicação deste conteúdo. O município havia defendido que as alterações propostas no decreto estavam embasadas em reformulações tributárias que permitiriam ajustes de acordo com a inflação, mas esse argumento não foi aceito pelos desembargadores.
Perspectivas futuras para o IPTU
Com o retorno à aplicação das normas de 1998, os residentes de Bragança Paulista enfrentarão uma situação diferente até que a Câmara Municipal aprove um novo projeto de lei que atualize a Planta Genérica de Valores. É crucial que os cidadãos se mantenham informados sobre as discussões legislativas e participem ativamente do processo, garantindo que suas vozes sejam ouvidas em relação a futuros reajustes do IPTU, que devem balancear a necessidade de arrecadação municipal com a justiça fiscal para os contribuintes.
Portanto, a posição firme do TJ-SP em defender a legalidade tributária reforça a importância de um processo legislativo claro e a participação da comunidade nas decisões que impactam seus bolsos.


